terça-feira, 7 de julho de 2015

Capítulo 03 - A Verdade Está Lá Fora

Os Personagens têm 72 horas para descobrir o que aconteceu com o Padre Martinez - que desapareceu entre as três da manhã da madrugada de sábado e as 19:00 horas do domingo...

O primeiro lugar (e o mais óbvio) é buscar pistas na St. Louis Cathedral.

Suas roupas e itens pessoais ainda estão lá; e não existe sinais de luta ou ataque...

Seu diário relata seu medo e as ameaças do Barão Cimitiére (e seu exército voduísta); e uma possível aliança entre eles e os anarquistas de "Shep" Jennings; mas o Príncipe Vidal não estava preocupado com os conspiradores - rindo e achando-o "paranóico"...

As câmeras de segurança não mostram nenhum outro visitante (além dos PC's) naquela noite. E o Padre Martinez não saiu da igreja em momento algum. Antes de dormir, o religioso entrou no banheiro e não foi mais visto...

O banheiro antigo, com azulejos encardidos e louças sanitárias velhas, aparenta ser normal... mas um teste difícil revela que alguns pisos estão mal encaixados. Se forem retirados, encontrarão um túnel rústico, com acesso à rede de esgotos...

Isso explica o sumiço; mas não ajuda a localizar seu paradeiro - pois é virtualmente impossível encontrar qualquer pistas naqueles túneis imundos, escuros e perigosos...

Sobre os esgotos, se os Personagens decidirem realizar uma busca nos registros públicos da Prefeitura ou da Biblioteca; descobrirão que a rede que atende ao French Quarter é a mais antiga da cidade - e não possui interligação com as redes modernas (ou seja: as chances do Padre Martinez não ter saído do distrito é enorme).

Outra informação relevante: esgotos são território dos Nosferatu...

E o único cainita Nosferatu cujo refúgio se esconde nos túneis velhos do French Quarter é Gus "Bola de Boliche" Elgin...

Seu "exótico" apelido se deve à sua cabeça careca, arredondada e completamente desfigurada (com três buracos pustulentos no topo do crânio). Ele foi Abraçado em 1.859. Em vida, Elgin era condutor do bonde New Orleans & Carrolton. Certa noite, quando estava para se recolher depois da última corrida; pensou ter visto alguém caído sobre os trilhos. Pensando que poderia ajudar, Gus correu para o lado da pessoa... mas no momento em que estendeu a mão para tocar o corpo, os cavalos que puxavam o bonde entraram em pânico! Elgin foi atropelado e sua cabeça esmagada pelas patas e rodas de seu veículo. No último e sublime momento de sua morte, Gus observou o vulto caído sobre os trilhos se levantando e caminhando em direção à ele. Seu rosto demoníaco se iluminou pelas luzes dos postes à gás. E Elgin fechou os olhos... segundos antes de sentir uma dor absurda!

Ele pensou que estava morto...

E talvez fosse melhor que tivesse razão...

Gus Elgin foi, durante muitas décadas, um leal ajudante e informante do Príncipe Vidal. Porém, nunca recebeu o quinhão a que faria jus. Pelo contrário: sempre foi visto como um "cãozinho adestrado", alimentado com sobras e ossos velhos. Aos poucos, a "Bola de Boliche" foi se afastando das discussões da "superfície" e se transformando num dos poucos cainitas "independentes" de Nova Orleans. Ele vive isolado, recluso e mostra-se hostil à cada tentativa de aproximação...

Arrancar alguma informação dele não será nada fácil...

Mas supondo que o grupo consiga; ele descobrirá que, de fato, o Padre Martinez foi sequestrado e arrastado pelos esgotos... até os porões do Hotel Royal Sonesta New Orleans!

O local é um dos mais tradicionais e luxuosos hotéis do French Quarter - situado na famosa Bourbon Street; e com um estilo único de requinte e sofisticação. Mas no Mundo das Trevas, todos sabem que o estabelecimento é um dos refúgios do Antoine Savoy...

Em determinado momento, os Personagens serão abordados por uma das carruagens turísticas que costumam circular pelo French Quarter e adjacências. Sentado à boleia está um homem negro e idoso, de barba grisalha e cartola branca na cabeça. Ao se aproximar do grupo, o homem acena cordialmente, antes de se meter numa pequena rusga com o cavalo (que parece não querer se aproximar dos PC's). Quando a carruagem finalmente pára, o condutor se vira para os Personagens com um sorriso e se apresenta:

- Boa noite, cavalheiros... Sou Oscar... e esta égua velha e rabugenta é a Daisy... Trago-lhes um convite do Lorde Savoy, que deseja conhecê-los e tomar um drink com os senhores... Aceitam uma carona até o Royal Sonesta?

Se os Personagens concordarem, Oscar descerá para abrir a porta e deixá-los entrar na carruagem (tomando cuidado especial com as damas - se houverem). Ele parece ser um senhor idoso e simpático, sem qualquer malícia no olhar ou nas palavras. A carruagem aberta é preta, com detalhes em veludo vermelho, e acomoda seis pessoas confortavelmente (em dois bancos paralelos). Oscar os trata como turistas comuns - contando piadas e velhas historias sobre o French Quarter durante a viagem. Ele não sabe nada sobre vampiros...  ou pelo menos não insinua saber!

Tão logo entrem no hall principal do Hotel, são orientados a seguir para o Irvin Mayfield's Jazz Playhouse - casa noturna que oferece Jazz sete noites por semana. Os seguranças enormes conferem por rádio antes de permitir a entrada do grupo na exclusiva casa. Local intimista, iluminação indireta, fumaça, álcool, casais e amigos animados (para não dizer embriagados), muitos risos e uma banda excelente no palco, tocando clássicos da década de 1920 a 1940...

Assim que os Personagens entram, um moreno alto e belo, vestido impecavelmente, se levanta e, com um sorriso no rosto, se adianta em cumprimentá-los. Robert ("mas todos me chamam de Bob") age como se estivesse esperando especificamente por eles (apesar de nunca tê-los visto e nem encontrado antes). Dá as boas-vindas ao Hotel Royal Sonesta; e os convida a segui-lo até o camarote, em um mezanino; onde um casal conversa animadamente - sendo assistidos por seis brutamontes bem vestidos (quase ocultos nos cantos escuros). O homem faz um sinal para o grupo se sentar...

- Boa noite, crianças! Primeira vez em Nova Orleans, eu suponho... Sou bom em lembrar de rostos! Mas as faces dos senhores não me é familiar... Ah, que falta de educação a minha, não? Sou Antoine Savoy... esta é minha amiga Natasha Preston... Bob, traga uma taça de vinho aos meus novos amigos! Aquele vinho... hein?

Enquanto o grupo se apresenta, Bob trás uma garçonete belíssima, segurando uma bandeja, com taças de vinho para todos na mesa. Savoy deixa que os Personagens escolham suas taças primeiro e faz questão de beber o primeiro gole (para afastar quaisquer suspeitas de envenenamento). Ele propõe um brinde ao Mardi Gras; e vocês sentem o gosto de sangue humano fresco...

Quebrado o gelo... ele se inclina na direção de um dos convidados (o que estiver mais próximo a ele); e sussurra, com ares conspiratórios:

- Um passarinho me contou que vocês se meteram em uma grande encrenca com o Príncipe, não é verdade?

Dependendo do "quanto" as investigações tenham avançado, é possível que os Personagens não queiram revelar muito do que sabem ao Savoy (notório inimigo do Príncipe). Mas o Lorde do French Quarter se mostrará amigável e pronto para ajudá-los a se safar desse problema...

Savoy não revelará nada do que sabe (nem seus planos). Se os Personagens perguntarem sobre o paradeiro do Padre Martinez, ele irá franzir a testa e balançar a cabeça negativamente, decepcionado por não poder ajudá-los. As únicas perguntas que Antoine responderá sem rodeios são aquelas relacionadas com a possível aliança dos anarquistas e voduístas (que realmente estão conspirando para derrubar o Príncipe Vidal). E se os Jogadores perguntarem a Savoy o motivo dele estar "tão interessado" neles; ele sorrirá, e "confessar" que está intrigado pelo motivo de neófitos estarem sendo incriminados por algo tão grande. Ele só quer saber o que aconteceu com o religioso; e ver se existe algo que ele possa fazer para ajudá-los...

Resta saber se o grupo irá acreditar nele...

Antes de se despedirem, ele dirá que irá pedir aos seus amigos, para que tentem descobrir algo que possa ajudá-los a solucionar esse mistério... e os convida para o famoso "Baile de Máscaras" do Hotel Royal Sonesta... que acontecerá na noite de segunda-feira... e reunirá toda a Família! Ele entrega convites para todos... e só pede que venham fantasiados..

Outra alternativa de investigação seria procurar o Dr. Matt Miller, no necrotério. Ele não saberá nada sobre o desaparecimento do Padre Martinez (e ficará visivelmente chateado pelo amigo).

Procurar pelo Barão Cimitiére, no Tremé District, é extremamente perigoso. Primeiro porque não haverá a "proteção" dada pela presença do Xerife Donovan (que eles gozam no French Quarter). Depois porque eles estão invadindo um território hostil. E se fizerem muitas perguntas, logo surgirão homens negros, fortemente armados, usando dreadlocks; que os levarão até o consultório do Dr. Xola. O sádico Tzismisce fará tudo que puder para aplicar seus talentos de Vicissitude nos "invasores curiosos"...

Em sua mansão, os Personagens serão "envenenados" e sofrerão terríveis pesadelos... e devem acordar rapidamente; antes que o Dr. Xola arranque seus corações (serão três pesadelos, seguidos, do tipo "acordar de um sonho dentro de outro sonho").

Logo na entrada da acanhada loja de artigos religiosos (Bloody Mary’s Temple), situada na Tremé Street (nos fundos do St. Louis Cemetery); é possível ver imagens de santos católicos ao lado de demônios grotescos; bonecos de pano preenchidos com terra úmida de cemitérios; uma infinidade de amuletos e mandalas; além de instrumentos que lembram torturas sadomasoquistas (chicotes, lâminas, couro e correntes).

Atrás do balcão, está um homem branco enorme – completamente careca, mas barbudo; trajando mantos negros ricamente decorados com detalhes dourados (possivelmente ouro) e cravejado de pedras preciosas de diversas cores. Em seus dedos, diversos anéis – com runas e símbolos exóticos. Quando vocês entram pela porta, ele interrompe a leitura de um livro pesado (capa de couro, páginas que lembram papiros antigos e escrito numa língua indecifrável); e abre um sorriso enorme:

- Sejam bem-vindos ao Bloody Mary’s Temple... Sou o Doutor Ephram Xola – mas podem me chamar de Bokor, se preferirem... Ouvi rumores que os senhores precisam encontrar o Barão Cimitière, estou certo? Bem... como os senhores devem imaginar... o Barão é um homem extremamente ocupado... Por isso, ficaria contente em ajudá-los...

Caso o grupo insista em falar com o Barão, o Dr. Xola coçará a barba e dirá:

- Bem... hoje deve ser o dia de sorte de vocês! O Barão Cimitière está reunido com sua krewe na sala de reuniões no segundo andar deste prédio; e se os senhores tiverem um pouco de paciência, talvez eu consiga convencê-lo a recebê-los... Me acompanhem, ok?

O Bokor Sombrio vira-se de costas para o grupo de visitantes e atravessa uma cortina feita com 13 cordões revestidos com ossos humanos – incluindo caveiras pequenas (possivelmente feitas com o crânio de crianças); caminhando por um corredor escuro...

Faça um teste de Percepção + Prontidão, dif. 09. Aqueles que forem bem sucedidos notarão que um pó quase transparente cai das caveiras sobre todo aquele que cruzar a cortina. Mas ele é tão fino que desaparece quando tocado. Na verdade, ele é rapidamente absorvido pela pele (ou pelo sistema respiratório).

O corredor é estreito (cerca de 80 centímetros de largura) e baixinho (máximo 02 metros de altura); com paredes rústicas de pedra; sem qualquer tipo de iluminação. Na verdade, a escuridão é absoluta – quiçá sobrenatural. Um forte cheiro de terra enlameada e rochas lembram o odor característico de túmulos antigos. E o único som vem dos passos pesados do Dr. Xola – que parece marchando, sempre alguns metros à frente (embora não seja possível vê-lo). Cinqüenta passos depois... silêncio... os passos do Bokor Sombrio cessaram...

Se os jogadores decidirem voltar, pelo mesmo caminho que vieram, terão uma ingrata surpresa: após os mesmos cinqüenta passos, encontrarão uma bifurcação tripla à sua frente (três túneis, absolutamente iguais e silenciosos). E se decidirem caminhar em frente, após cinqüenta passos, também encontrarão três túneis – todos exatamente iguais...


No final de cada túnel, haverá um desafio macabro a ser cumprido...


GULA: os Personagens acordam numa cela escura e úmida, escavada na rocha. Existem vinte pessoas acorrentadas, nuas, com os olhos e as bocas amarradas com fios grotescos. E do outro lado da cela, um vaso de sangue com capacidade para 100 litros. Dentro deste vaso, está a chave da cela... mas só quando o vaso estivesse cheio, ele romperá a corrente que o sustenta e se quebrará, liberando a porta...

COBIÇA: Diversos fios compridos formam um emaranhado de “teias”, com pedras preciosas “afiadas”, aptas a dilacerar o corpo daqueles que precisam passar pelo corredor.

PREGUIÇA: o poço e o pêndulo.

LUXÚRIA: Existem três garotas escravas (exatamente como aquelas da cela da gula); completamente nuas (mas não amarradas); com chaves das celas implantadas em seus úteros. Suas vaginas foram costuradas; e elas lutarão contra os invasores...

VAIDADE: oito facas (quatro de cada lado); devem ser empurradas com o rosto...até chegar à uma alavanca que abre a porta da sala... Depois de aberto, a porta ficará aberta por 10 segundos... para que aquele que foi sacrificado... também possa escapar...

INVEJA:

IRA: o último teste coloca frente a frente dois PC’s. Ambos possuem uma faca de açougueiro e no canto da sala, uma balança de carne. Ganha quem conseguir colocar mais carne lá, depois de cinco minutos (seja própria ou do outro)!

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